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DISCOTERJ

Associação dos Dj's e Vj's no Estado do Rio de Janeiro

CNPJ: 28.009.124/0001-57

Esses Djs nos representam

28 DEZ 2020
28 de Dezembro de 2020

Esses DJs representam toda a classe porque todos são, ou foram muito significantes para a profissão e acima de grandes DJs, são brilhantes. E para enaltecê-los existe uma série de palavras, mas o que os define melhor nessa questão é o reconhecimento de que não precisam da cor para serem tão notáveis como são. Quando acreditam neles e os deixam à vontade ninguém os segura, são incrivelmente responsáveis.

Nos anos 70, era muito comum ver DJs Negros, ocupando as disputadas cabines de som das boates da Zona Sul do Rio de Janeiro, inclusive tive o prazer de atuar ao lado de dois, um foi o DJ Toni Chita e o outro foi o versátil DJ Pinduka em uma domingueira, numa boate muito chique no Leblon. O meu prazer não se restringe as lembranças de ter trabalhado com os dois Djs Negros citados, porém eram muitos Djs Negros que partiam da Zona Norte e Baixada Fluminense, para mostrar o seu valor nas boates da Zona Sul, e acabavam marcando território e fazendo o que melhor sabiam: Discotecar. Saibam que nos anos 70, eu escrevia um boletim informativo que falava dos lugares que o DJ tocava, citava as melhores músicas do mês e de quebra fornecia endereços das gravadoras. A ideia era ótima, um DJ que ainda lembra-se desse informativo dos anos 70, feito para os profissionais da classe é o DJ Rodrigo Vieira. Infelizmente o Informativo teve um final infeliz; eram tempos de ditadura e acabei sendo presa por cinco dias, porque os carrascos cismaram que o boletim estava codificado, eles me seguiam há meses, antes de dar o bote. Só fui salva do pior porque estava acompanhada da filha de um militar.  

A quantidade e qualidade dos DJs Negros que chegavam para abrilhantar as noites das boates da Zona Sul, não paravam, até que pouco a pouco o DJ Lio Santana, foi construindo a sua história dentro do Brasil e posteriormente no circuito internacional e mesmo que o seu currículo não fosse extenso, a própria figura e o conteúdo profissional dele, já lhe serviam como passe por ser tão admirado e respeitado. O cara sabia demais! Não chegou à zona Sul a turismo, tanto que tocou nas grandes boates. 

Soube através do DJ Corello, que em algum período dos anos 70, ele também foi para Zona Sul, a fim de matar uma curiosidade, pois queria saber qual era a manha e foi justamente para a boate Alfredão, diz também com convicção que foi muito bem recebido pela DJ (discotecária) que por coincidência era eu. Fiquei muito feliz por ter ouvido isso, não só pelos elogios, mas por saber que já toquei ao lado de um das maiores feras do Brasil. Lembro do DJ Valdir, que antes de ter ido para a boate Flórida e ter se tornado empresário no ramo de táxi, também passou pela cabine de som da boate Alfredão, aliás, posso garantir sem dar direito a contestação, que foi a maior empregadora de DJs Negros, considerando que o mais promissor foi o DJ Luciano Jacaré, que migrou do Alfredão direto para os braços da famosa discoteca Hipopótamus, mas como a sua competência era inquestionável, acabou tendo merecidamente o passaporte carimbado para os Estados Unidos, mais precisamente para a cidade que todos DJs queriam chegar, a tão sonhada Manhattan, Nova Yorque, cidade cobiçada pelos DJs de todo o mundo, afinal era o paraíso que abrigava o Studio 54, que o DJ Luciano Jacaré teve o prazer de conhecer. Atualmente o grande DJ vive no Brasil e ainda está tocando.

Não me lembro de ter visto a leva de DJs Negros diminuir na Zona Sul, e com o passar dos anos lamentavelmente não vi ou pelo o menos não me lembro de outros que tenham sido tão valorizados quanto o Lio e o Luciano. Nem todos tiveram a mesma sorte, mas não significa que não foram brilhantes, como ou até melhores que eles. Vi sim excelentes DJs Negros desaparecerem pouco a pouco da Zona Sul e eram muito bem cotados, porém muito mau remunerados: DJ Paulinho da conhecida Boate Barbarela , DJ Hercules Neguinho, DJ Adesman Castro, grande conhecedor de músicas, interpretes e label em geral. 

Os DJs Negros que nos Anos 80 pavimentavam pela Zona Sul, mesmo se tratando de excelentes, não conseguiram a mesma aclamação que os outros dois DJs dos anos 70 mencionados na matéria.  E como nos anos 80 iniciei as minhas idas e vindas para Nova Yorque e era com muita frequência, fiquei um pouco desligada e sem essa informação e nessa mesma época também estava envolvida com o meu jornal DJs In Concert, o primeiro meio de divulgação cem por cento escritos por DJs para DJs, que tive como sócios os Djs Douglas Futuro e Mario Del Guércio. Não lembro realmente de outro DJ Negro em ascensão.

No final dos anos 80, conheci o DJ Sany, um negro cheio de idéias e sonhos, fizemos até uns ensaios com um cantor desconhecido porque o DJ Sany, já sonhava em ver os DJs sendo prestigiados pela galera da música. A nossa banda foi denominada Bandjs, que por motivo de uma viagem demorada que eu fiz, acabei perdendo a galera de vista e o DJ Sany que era o mais conectado comigo, eu já considerava tê-lo perdido de vista. Até que nos anos 2000, o vi em uma reportagem da TV Globo, e já não era mais o DJ Sany, a coisa mudou, o papo agora só será possível se for com o DJ Sany PitBull. Não demorou muito para eu aceitar o convite do DJ Humberto Disco Funk e ir ao Baile Festa Funk Soul Black do DJ Português e olhando para todos os lados, procurando por outros amigos, reconheci o DJ Sany PitBull, fiz um sinal e quando me reconheceu veio imediatamente. Foi uma alegria só, disse que estava ali para ver o seu grande ídolo tocar, o lendário DJ Marcão da Cash Box. Daquele dia em diante não o perdi mais de vista e tenho orgulho em ter esse amigo DJ fazendo parte do meu currículo. Esse é um daqueles DJs que tem muito orgulho de ser um DJ Negro promissor. Já viajou pelo mundo e é muito respeitado no meio artístico, chegou a fazer uma longa temporada com o cantor Lulu Santos e agora foi um dos indicados ao prêmio MultShow, pela produção musical da série do Gloplay, Arcanjo Renegado. Sim, ele superou aos demais, porém afirma que quer ver outros DJs Negros batendo a sua marca. 

Gostaria muito de pedir aos nossos amigos DJs, que trabalham com grandes eventos como; casamentos, festas de aniversário e demais, que convidem os DJs Negros para atuarem junto a vocês. Vamos abrir essa porta de possibilidade já que a sociedade finge que eles não existem? Contratam artistas negros, mas não contratam DJs Negros. Hipocrisia!

VIDAS NEGRAS IMPORTAM - compartilha

by DJ Sandra Gal

 

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