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DISCOTERJ

Associação dos Dj's e Vj's no Estado do Rio de Janeiro

CNPJ: 28.009.124/0001-57

A DJ QUE NÃO CAIU DE PARAQUEDAS

28 SET 2021
28 de Setembro de 2021

Paixão luta e reconhecimento fez da Discoterj o primeiro movimento em prol dos DJs no mundo.

Bairro de Copacabana, década de 1970. Em um ambiente dominado em sua grande maioria por homens, circulava pelas boêmias ruas do bairro a discotecária Sandra, uma jovem moradora de Madureira que desde 1966 já havia assumido seu compromisso de vida: a conscientização de uma recente classe de profissionais, os chamados discotecários. 

De forma independente, e movida por sua paixão, a jovem Sandra ia de boate em boate com algo que era a materialização da sua missão, um simples e valoroso boletim informativo (DJs Parade), dedicado aos profissionais das cabines de som. No boletim não havia foto, nem diagramação, e sim algo mais profundo, visionário e plural.

Dores que gritam:

Mesmo que o intuito da jovem Sandra fosse nobre, algumas passagens também trouxeram dor. Em plena época de ditadura, sua ação da entrega do informativo foi vista com desconfiança por parte de dois elementos estranhos que decretaram a prisão da jovem Sandra por cinco dias na 13° DP, de Copacabana. No mesmo período, sua inclinação por melhores condições também resultou em agressões físicas por parte de um dono da boate da qual Sandra discotecava, porém seu foco superou todos esses lamentáveis acontecimentos.

Entrando na década de 1980, muitas coisas foram acontecendo em torno de Sandra. Primeiramente, ela fundou a Discoterj. Em seguida, junto com Robson do Patrocínio, muitas ações foram realizadas. A primeira foi a entrega de certificados para os 50 melhores DJs da noite. Mais à frente, nas dependências da universidade Estácio de Sá, foi realizado o primeiro simpósio para DJs no RJ, bem como o primeiro curso de DJs dentro de uma universidade, tendo como docente DJ Memê, que na época trabalhava na Rádio Cidade. Ao término do curso, Sandra convidou dois alunos (Douglas Futuro e Mário Del Guercio) para se associarem para fundar o jornal “DJs in concert”, de circulação nacional.

Paralelo ao movimento de conscientização iniciado por Sandra, na década de 1980 o cenário do entretenimento da cultura DJ já estava consolidado. Eram diversos profissionais das noites, rádios, boates, e toda aquela efervescência musical. 

Estes notáveis avanços eram facilmente observados a olho nu para o público, porém muitos profissionais, naturalmente envolvidos com toda essa “magia”, viviam dilemas na relação entre patrão e empregado. A cobertura dada a estes profissionais era pouca ou nenhuma, o que nos remete ao intuito daquela jovem que desde a década anterior não olhava pelo glamour, e sim em alertar nós DJs que precisaríamos estar atentos aos nossos direitos. 

Os anos passaram, este mercado continuou crescendo e a Discoterj seguiu prestigiando os DJs e a história desta cultura. A associação realizou diversos eventos e premiações icônicas, sempre com o prestígio de diversos profissionais da área. Entre algumas ações tivemos o troféu DJs Forever, bem como uma homenagem a dupla Big Boy e Ademir Lemos. Paralelo a isso e em diversas ocasiões, a associação agraciou medalhas e certificados a diversos DJs. Através da apresentação do DJ TR a um político, a Discoterj também foi homenageada, o que possibilitou a entrega de moções a 150 DJs.

Sandra Gal, ao centro, entre o primeiro dj do Brasil Osvaldo Pereira e a saudosa Dj Sonia Abreu
O reconhecimento também é uma mão dupla:

DJ Sandra Gal: “Guardo com muito carinho todas as homenagens que recebi. Na ALESP, fui indicada pelo Antônio Carlos do SINDECS e recebi a homenagem das mãos da saudosa DJ Sonia Abreu. O Rio DJ Meet (Bon.Ecko, João Suprani) onde nós fomos os apoiadores, fui agraciada com uma grande placa em agradecimento por esta luta. Tivemos a Moção que foi indicada pelo DJ Saddam, e por fim, a menina dos olhos que foi oferecida pela Sub-Djs de Salvador. Fui levada pelo DJ Hércules Carvalho. Tudo isso é fruto da Discoterj”.

Ciente que determinados avanços, ainda mais com propósito de amparo a uma classe, não se dá da noite para o dia, a Discoterj, assim como várias outras instituições de outros estados, segue em busca de ferramentas e parcerias para dar continuidade aquele desejo iniciado na década de 1970 e que agora se tornou algo plural. Com a questão da pandemia, acredito que muitos de nós ficamos invisíveis no que se refere aos direitos do trabalhador. Ainda antes deste cenário, algumas pautas com objetivo de regulamentar a atividade já estavam sendo encaminhadas, inclusive a relatoria enviada ao senador Romário Faria foi aprovada. Porém, devido ao problema mundial que ainda estamos passando, tudo ficou parado. 


A Discoterj e as associações e sindicatos de outros estados continuam atentas para que na primeira oportunidade elas possam ir à Brasília debater este assunto que é de interesse de muitos profissionais.

Sandra, muitos estão cientes que questões que envolvam uma classe não acontecem de um dia para o outro, mas enquanto algumas etapas ainda não se concretizarem, é notório que o prestígio indiscriminado que você e a Discoterj realizam nos dão a certeza de que vocês sempre estão de mãos dadas com os DJs. Estamos em setembro de 2021, e a Discoterj já com seus 38 anos de fundação foi agraciada com a informação de ser o primeiro movimento de conscientização em prol dos DJs. 

Essa história, diferente de inúmeras e importantes revoluções na conquista de direitos, seguramente não acontecerá com armas, e nem talvez com uma visão romântica sobre a nossa ferramenta que é a música ou a melhor mixagem, e sim, o bloco, o entendimento mútuo dessa linha do tempo e a forma que estamos inseridos. Vida longa, Discoterj.

DJ Sandra Gal, aquelas andanças e tudo que você como mulher passou não será em vão.

by DJ Bon.Ecko.


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