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DISCOTERJ

Associação dos Dj's e Vj's no Estado do Rio de Janeiro

CNPJ: 28.009.124/0001-57

Além da técnica

06 MAI 2015
06 de Maio de 2015

ALÉM DA TÉCNICA

Mídia x  Docentes x Futuros DJ’s

Uma breve história,

Era década de 80, não recordo o ano exatamente. A antiga TVS, iria transmitir o filme "Rambo” inédito acho eu, após a novela das 9 (Rede Globo). Na guerra pela audiência, lembro que a Globo estrategicamente colocou dois capítulos em sequência, “furando” a programação da TVS. Em resumo, isto só apontaria os rumos das brigas cada vez mais “picantes” pela audiência. O futuro disto foi o apelo bem oportuno de explorar a expressão corporal. Através da exibição de corpos seminus e também usando de algumas músicas para “atingir” o comportamento alguns meios alavancavam seu ibope. Seria este o auge para obter melhor audiência? Enfim, a máquina girou e a aposta duvidosa e questionável dos "grandes meios de comunicação”, chegou a muitas noites, clubes, danças, etc... Para mim, eles atingiram boa parte do seu objetivo de dominação.

Trazendo esta questão para um curso de DJ’s, acredito ser necessário dar no mínimo um “choque” aos futuros pretendentes da atividade com objetivo de mostrar, que além de existir esta "realidade" que somos praticamente obrigados a consumir, também há uma ruptura, onde o docente entra trabalhando a aura do talvez futuro profissional. Penso que os interessados, não precisam apenas saber tocar e sim, mais do que nunca trabalhar a mentalidade. Penso que cabe ao docente apresentar-lhes personagens, histórias, e a sua emoção ao transmitir isso tem que contagiar ou chocá-los, talvez igual a uma pista de dança.

De New Order à Pinduca, de Kraftwerk aos toques religiosos. Da bateria eletrônica ao caxixi, é importante mostrar e justificar a importância de tudo. De certa forma até provocá-los para uma discussão aberta, e isso não quer dizer que o docente está certo, o intuito é mostrar que temos que nos abrir, ser atemporal e absorver o que nos for necessário pela nossa/sua, busca. Liberdade para todos nós, DJ! Isto não é ditar ou colocá-los contra a maré, mas ao menos munir os mesmos com algumas informações que, mesmo que não sigam, ou não sigam agora, estes possam ser auxiliados para se posicionar neste mercado de forma somativa.

Temos importantes personagens como Big Boy, Amandio que se destacaram muito também pelas exclusividades musicais. Ricardo Lamounier apresentando as mixagens. Vieram as boates, os gêneros musicais e com o passar do tempo, mais coisas são exigidas. E para quem leciona, acredito que seja necessário fundamentar nossa atividade, ainda tão massacrada inclusive para os que lecionam, e mais ainda para quem está começando. Aos novos “soldados” que querem ingressar nesta atividade, entender esta trama é importante para um posicionamento, como escrito acima. Vale lembrar que viemos de uma subversão onde muitos outros pensaram à frente, experimentaram e novos mercados e gêneros musicais foram criados. E graças a isso, muito do que você ouve e consome veio de uma reação a uma possível opressão.

Para alguns, isto pode parecer uma ideia defasada ou romântica, mas vale citar que o que você poderá tocar daqui alguns meses ou anos, pode estar sendo feito neste exato momento em um algum lugar de Berlim, Leblon, Capão Redondo, enfim... independente do lugar, a busca pelo novo, pelo ontem, pela textura faz surgir a ruptura. “Onde você está”?

Engana-se, quem acha que informar isto é uma via de mão única. Inesquecíveis foram os alunos que traziam novidades de diversos gêneros, e eu simplesmente "passava mal". A última foi de um aluno músico, baterista e com um admirável conhecimento musical que passava pela MPB, Soul, Funky, Afrobeat e deixou claro que queria tocar funk carioca. Após algum tempo, pedi para que os alunos trouxessem o que pretendiam tocar para que treinassem, etc... e o mesmo  trouxe um lado B, ou mesmo C do Funk carioca que eu não conhecia muito bem, mais uma vez vi a ruptura; Resultado: Perguntava a este aluno praticamente todas as faixas que ele tocava, "quem era?", "Caramba! Pesado isso, hein?!" Por outro lado, este mesmo aluno disse que tinha uma resistência com as músicas de batidas retas como House, por exemplo, com exceções para algumas faixas do início dos anos 90. Daí, passei um documentário onde o mesmo buscou se aprofundar, mesmo que não viesse a tocar e pronto. Primeira frase que disse ao entrar na sala : Cara, agora eu respeito demais o House Music". Uma troca edificante... Por fim, penso que esse é um papel mútuo para quem leciona, e para quem chega. Venham com a mente aberta.

Um grande salve e até a próxima...

Muita Luz!!!

Bon.Ecko

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