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DISCOTERJ

Associação dos Dj's e Vj's no Estado do Rio de Janeiro

CNPJ: 28.009.124/0001-57

Vida longa ao vinil

27 OUT 2017
27 de Outubro de 2017

Sempre que converso com os DJs novatos sobre as manhas dos discos de vinil, sinto-me na obrigação de falar com a alma, definir da melhor forma o sentimento que muitos DJs têm por esse recurso, e o que melhor materializa esse sentimento é a certeza de que não somente os DJs das antigas, mas muitos jovens também falam de igual pra igual sobre esse fabuloso artigo.

E os DJs novatos que ainda não entenderam o porquê do disco de vinil ser tão amado, entram a necessidade de não só uma, mas várias explicações que não sirvam apenas como uma resposta esclarecedora, porém todas que forem capazes de contagiar o ouvinte, a ponto de torná-los tão apaixonados pelo vinil, o quanto você é, e isso só vai depender da sua verdade. Quando estamos falando com o coração, somos capazes de envolver o ser mais incrédulo do planeta, mas em compensação, se mentirmos; o mais ingênuo dos DJs novatos, não fará nem questão de continuar ouvindo você. O disco de vinil tem tantas qualidades para serem mencionadas, que dificilmente alguém que queira entrar nesse universo, ao fim da conversa, não se deixará envolver pela questão.

3 Djs que contam a sua experiência com vinil

Humberto Disco Funk, Boca Salles e Bonecko DJ

O DJ Humberto Disco Funk é daquele tipo de DJ que não precisa tocar nas grandes casas, grandes festivais ou até mesmo nas mais conhecidas equipes de som para ser reconhecido, e isso eu pude comprovar em todos os estados brasileiros, que visitei como DJ, ou seja; respeita o moço, mas como não respeitar um cara que possui um invejável acervo de imagens e de som? O cara sabe muito, vamos saber a opinião do Humberto nesse contexto? 

Humberto Disco Funk e o seu acervo reduzido a um único vinil

“... vítima de um golpe! assim eu me posiciono diante da inovação injetada pelo mercado fonográfico referente aos CDs, naquela ocasião. De forma gradativa, procurando livrar-me do peso e adicionando mais um espaço na sala, fui eliminando todo o meu acervo,fazendo vistas grossas a toda história que cada vinil me proporcionou, dos compactos simples e duplos, comprados nas antigas Lojas Americanas e Casas Sendas no Méier, aos robustos LPs, principalmente das lendárias bandas de rock, cujos encartes me conduziam a adicionar mais uma voz nas belíssimas canções. Jamais parei pra pensar que parte de minha vida estaria "partindo" quando comecei a acreditar que os discos de vinil estavam com os dias contados. Sinceramente, me arrependo e muito! Cada disco que eu doei tinha uma faixa bônus imaginária. Acreditem: era um track harmonioso, contendo passagens marcantes da minha vida, dos inúmeros papos sobre a minha adolescência, das alegrias geradas a cada disco que eu comprava, enfim, algo que o CD jamais me proporcionou. O espaço que o vinil ocupava na minha estante tornou-se a maior lacuna das minhas audições

by Humberto Disco Funk

Também estive falando com o Alex Salles, o DJ Boca sobre o significado do disco de vinil na vida dele e como foi para ele ver algumas pérolas escorregando das suas mãos e para minha surpresa, em questão de segundos ele respondeu o seguinte:                                                            

Alex Salles, Dj Boca

“... O vinil é a forma mais pura das mídias, onde você capta os graves mais intensos e puros, possibilitando que você ouça o intérprete, como se ele estivesse cantando especialmente pra você, audição tipo cristalina. Mas é uma pena que não me lembrei disso, quando tive que me desfazer pouco a pouco dos meus discos. Eu morava nos EUA, país com um intenso lançamento de músicas e a bom preço. No ano de 2005, resolvi voltar para o Brasil e crente que estava abafando, abri mão de diversos objetos para priorizar a vinda de 500 discos de extrema qualidade, que devido ao meu conhecimento, eu não teria dificuldade nenhuma para vendê-los, porém o que eu não sabia, é que a febre dos CDs já tinha tomado conta do Brasil, e pra não ficar no prejuízo, a saída foi vender tudo abaixo do preço que paguei. Fui vitima de mim mesmo”. by DJ Boca

O DJ Bonecko de cara comentou que quando ele toca com os discos de vinil, a concorrência com as outras mídias fica desleal, pois ainda é muito comum o público assistir o DJ que manda bem com os discos de vinil. O resto ele conta pra gente:                                                                      

Dj Bonecko

“... por diversos fatores atualmente só faço uso do vinil com o Serato. Porém, antes disto lembro que no período onde os DJs migraram para o CD eu continuava levando os discos e ouvia dos amigos, mesmo com tom de brincadeira que eu era maluco, entre outras coisas, porém tocávamos a mesmas coisas. Hoje nenhum deles está na ativa.

Nesse período ouvi um DJ em um programa de FM se vangloriando, pois havia como fazer mesmo de forma precária um scratch. O engraçado, pra não falar outra coisa, é que com a massificação dos DJs ainda nessa época, os mais antigos voltaram a levar os discos achando que esta seria uma justificativa de separar o joio do trigo, em vão.

Muitos de nós temos muitas histórias quando o assunto é vinil? Passam muitas na lembrança, mas enfim.

Em 2005 quando o CD estava muito em alta, ao menos nos circuitos que eu reparava, lancei meu disco e contrariando esse momento fiz a coletânea de forma em vinil e de forma independente. Acho que o hiphop, os DJs e colecionadores de música brasileira são um dos fatores muito importantes nesta história. Algum ano atrás estava tendo problemas com a quantidade de vinil versus o espaço que tinha em meu quarto, resultado, acabei praticamente doando todos.  Não conseguia vender, pois me falavam que o valor era muito baixo, etc. Após esta doação, e agora no meado de outubro, vi que a pessoa vendeu tudo até muito barato e foi por quase 10 mil reais.

O que me fascina nunca foi necessariamente a música, prensagem, versão do vinil, mas o tato, o manuseio.  É importante também ter esta visão comercial também, pois isto pode ser um pequeno ou considerável patrimônio, coisa que não observei,  mesmo vendo o aquecimento em grandes escalas, falo das fábricas de vinil.  Utilizo o vinil também em ambiente de aula e ali existem várias mensagens para os alunos. Acaba que os mesmo se apaixonam e se dizem encantado com o disco vinil ou time code.

Penso ser necessária dentro de certa dosagem esta experiência para os mais novos e o resultado de cara costuma ser positivo, não é pra menos”. by Bon.Ecko

Em cada canção uma saudade !

Vinil do Elvis Presley com músicas de 1956

Não foi apenas uma vez que comprei um vinil, considerando como base a capa, já adquiri alguns pelo colorido chamativo, bem como também comprei só porque eu já conhecia o interprete, nesse caso refiro-me aos discos lacrados. No ano passado o meu afilhado, um adolescente antenado, em uma das suas várias viagens à Alemanha, entrou em uma loja de vinil e conseguiu achar um LP, do Elvis Presley, com músicas de 1956. Ele me ligou perguntando se eu queria, ora, ora! Fiquei em êxtase total, quando ele enviou a foto, meu Deus, quanta alegria! O vinil de cor azul tem um corte radical criando quatro pontas, ao contrário dos outros discos que são redondos.

Box de 3 Lps com trilhas sonoras dos filmes de Marilyn Monroe
Pois bem, no decorrer desse ano, a irmã do meu compadre que também é alemã, mudou de cidade e se desfez de uma pequena coleção de discos, e não é que o meu compadre gentilmente me enviou 100 discos, entre eles Pop, Clássicos e uma raridade, que certamente não interessa para os DJs, mas que eu passei a tratá-lo como o mimo da minha casa, estou falando de um box de 3 LPS, com todas as músicas que fizeram parte das trilhas sonoras dos filmes da MARILYN MONROE, já recebi uma oferta de R$3.000.00 de um colecionador de São Paulo e com toda sabedoria recusei.
Vinil Picture do Michael Jackson

A promessa da Sony Music em injetar forte no retorno do vinil, tem como prioridade os pictures que há alguns anos entrou com força no mercado, enfim fica claro que não cabia nas nossas vidas esse grande desgosto e é só você bater um papo com os DJs que venderam os seus discos, amparados pelo disse me disse dos supostos dias contados do vinil, que você perceberá muita amargura e muitas vezes vergonha de assumir que não tem mais a sua velha e valiosa coleção de vinil.

GOLD AWARD de chocolate

O mais patético é que esse ano fui homenageado com o GOLD AWARD - For de Best, mas é de chocolate e fiquei muito feliz!
By Sandra Gal

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