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DISCOTERJ

Associação dos Dj's e Vj's no Estado do Rio de Janeiro

CNPJ: 28.009.124/0001-57

Gravadoras derrubam Lives de DJs

02 JUN 2020
02 de Junho de 2020

Sabemos que programar o dia e um horário para a transmissão de uma Live não está nada fácil, considerando que a concorrência aumenta a cada minuto. A quantidade de DJs de todos os quilates é surpreendente, e não esquecendo as apresentações patrocinadas de cantores de peso. E isso vem acontecendo no mundo inteiro, para ajudar a amenizar o pesadelo que estamos vivendo em épocas de Covid-19. Tenho acompanhado as Lives de inúmeros DJs, algumas prendendo mais a minha atenção, com os critérios indo da qualidade do som, plano de fundo, locução, um bom set até a interação com o público. E um fato que surgiu nos ultimos dias em uma postagem no facebook do DJ Alessandro Ranes, foi o comentário de que na onda das Lives os DJs se apresentam com profissionalismo, elegância e transmitindo em um ambiente apropriado. Ele também comentou que diferente das Lives, são as transmissões sem nenhum compromisso com a proposta, esbanjando amadorismos como a falta de noção na escolha do local ideal para a instalação do equipamento de som, seguido pelo traje acompanhado do inseparável chinelo de dedos, e por aí vão... Por fim, com palavras mais brandas, reconhece que cada um se apresenta como quiser; mas se o intuito é a visibilidade, é melhor que futuros contratantes te vejam como um negócio e não como alguém que esteja ali apenas passando o tempo. Pensando bem, procedem as observações do DJ.  

O meu passeio pelas Lives me dava a sensação de que eu estava em uma maratona, até que um dia me senti exausta. Porém, convencida de que aquilo tudo estava só começando, insisti e encontrei-me involuntariamente com os bons e melhores DJs. Mas não era a hora de parar, então continuei a minha caminhada pelas redes. Como eram muitas opções, não dava para me hospedar somente em uma, e foi no rastro da variedade que vi DJs tocando, mas não se via o equipamento; faltava luz que destacasse as suas armas de trabalho. Vi duas mãos de outro DJ manuseando um distinto equipamento, só não dava para ver o rosto dele, e enquanto não teve a sua transmissão derrubada, premiou os meus ouvidos com um set elegante. Refiro-me ao DJ. Dr. Rafael Paranhos. A derrubada sem pena e sem dó certamente frustrou o objetivo de excelentes DJs como Tonny di Carlos, que costuma tocar com intenção de causar, mas acabou sendo mais uma vítima - Daniel Ragi, que quando cheguei estava mandando bem demais com o seu set de bandas brasileiras, mixadas com muita categoria antes de ser derrubado - Moisés Possato, que no dia em que o visitei recebeu o Luizinho, e com muita sintonia entre os dois, o som correu solto - Bruno Marks, que tocava com muita tranquilidade e, apesar de ter sido a primeira vez que eu entrei para ver o estilo do trabalho dele, gostei do que vi: as viradas do seu set foram sensacionais - Tom Luckascheck, que dividiu os holofotes com a graciosa esposa que entrou na live e fez a alegria da galera. Fiquei por ali dando boas gargalhadas, mas eu tinha que continuar a minha jornada.


O Binho Ollyver, de São Paulo, vem realizando Lives solidárias em nome do SINDECS e apresentando o querido Ramilson Maia à frente da campanha com intenção de ajudar os DJs paulistas que, devido a essa crise estão precisando. Parabéns, vocês merecem o nosso respeito. Outro ponto que chamou minha atenção foi ver que o contador de muitas Lives, marcava só duas ou três pessoas visualizando e mesmo assim o DJ não desistia e eu achava muito legal, persistir é a cara do DJ. Tanto é que a maioria mesmo sabendo que estavam tocando para quase ninguém, tinham um Set muito equilibrado, gostoso de ouvir e me davam vontade de acompanhar até a última música, mas eu tinha que continuar à procura do algo a mais para agregar a essa matéria. A minha insistência acabou me levando ao encontro com a Live que finalmente chamou a minha atenção e ficou bem melhor porque o DJ, em nome da AGADJS, lançou a campanha PEN-DRIVE DO BEM, cuja renda é revertida em cestas básicas para ajudar os DJs gaúchos que estiverem precisando. Excelente iniciativa! Fiquei dois dias ligados por conta da Live, com hora pra começar, só não tinha hora para acabar. Era uma verdadeira balada! Gostei tanto porque durante aquelas duas noites eu ouvi de tudo. Era de se esperar que no final, lá pelas 4 da manhã, o DJ diminuísse o ritmo, mas ao contrário do imaginado ele se reinventava deixando que a galera pedisse música. Ele é o Hebert Poersch, DJ Cabeção, é de Porto Alegre, tem uma agenda mensal desejada por muitos DJs, mas em tempos de Covid-19 se mantém confinado em casa com a família, portanto  mantendo o seu fiel público ligado nas suas transmissões. Aliás, parou tudo quando no dia 16 de Maio foram abertos os primeiros acontecimentos do que seriam a Live das Lives, palavras do DJ. Foram 4 horas seguidas tocando e tentando vender o Pen-drive em um estúdio de primeira, com todos os aparatos necessários para o super evento. 

Por mais que haja boa vontade para superar esse momento, infelizmente o DJ também tem que lutar contra o vírus da ganância e o egoísmo das gravadoras em conjunto com o Facebook e Instagram, que a toda hora derrubam as lives dos DJs, que vê no advento internet uma ótima oportunidade de levar a sua arte para os lares de milhões de pessoas que têm o hábito de frequentar lugares predominados pelos DJs. Por isso fica difícil entender que em uma ocasião como essa que estamos vivendo, as gravadoras, principalmente as multinacionais que têm o DJ como um forte divulgador, tem coragem de penalizar grandes parceiros por meio dessas quedas.  


Como DJs, somos conscientes de que temos nas mãos a missão de levar alegria para pessoas que nem se quer conhecemos, e esse lema  perdura desde o tempo dos discotecários. São épocas diferentes, havendo mudanças bruscas ao longo dos anos que trazem como bandeira a tecnologia. Foram tantas mudanças que até o mixer que era confeccionado aqui, por técnicos de som, hoje é apresentado de outra forma em razão dos avanços tecnológicos, e aos poucos algumas boates, principalmente as poderosas, foram mudando os seus equipamentos. Mas foi através  do mito DJ Ricardo Lamounier, que tal item passou a ser cobiçado pelos DJs daqui na volta dele ao  Brasil, para inaugurar a New York City Discoteque, trouxe na bagagem uma técnica que já embalava as pistas americanas, mas que finalmente nos foi apresentada para entrar nos anais da historia: a MIXAGEM, que ainda sobrevive e nos dias críticos de coronavírus, por meio dos DJs e suas Lives , estão fazendo parte da vida de milhões de famílias mundo afora. A música tem o poder de  transformar e unir as pessoas, e é uma pena saber que os dirigentes das gravadoras não agem com tolerância à mania de monetização. 

Breve publicaremos a continuidade dessa matéria, daremos mais visibilidade as Lives solidárias, as demais também serão mencionadas como o Som do Negão e outras, porém com menor relevância. Na segunda publicação, vamos falar da parceria da DISCOTERJ com o projeto LIVES FOR LIFE com o intuito de viabilizar a campanha  DJ EMERGENCIAL, que tem como finalidade alcançar o máximo de doações  possível, que serão destinadas aos DJs que tanto quanto muitos outros profissionais, estão precisando. Aos irmãos que estão nessa situação, peço que tenham fé que o nosso bom Deus esta providenciando para que tudo isso passe e enquanto isso tocará em muitos corações para que suas doações cheguem até vocês e saibam não se envergonhem esse é um problema universal... 

by Sandra Gal
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